terça-feira, 20 de julho de 2010

Fly away

Que vontade eu tenho de pegar minhas coisas e sair por aí, sem dar satisfação a ninguem. Sumir, sem deixar rastros. Não ter compromissos com emprego, faculdade, família, namorado e ninguém. Pena que a vida não é fácil assim pra todos.
Na verdade toda vez que fico triste como estou agora tenho essa vontade. De ir pra um lugar diferente, conhecer gente nova, ter uma vida nova! Podia ser assim, tão simples... Viajar o mundo com todo o tempo disponível pra aproveitar cada segundo em cada canto desse planeta.
Um dia, um dia sim eu farei isso.
Por enquanto o que me resta é lamentar minhas tristezas. Não se preocupem, foi só mais uma briga com meu pai. Uma das muitas onde ele finge que nada aconteceu dois minutos depois e eu fico trancada no meu quarto cheia de mágoas. Isso me cansa. Ele não percebe que tá destruindo a mim e a minha mãe com suas... Ah, deixa pra lá! Não quero falar sobre isso. Mas antes que se preocupem com qualquer coisa, ele só destroi a gente por dentro ;) - Sei lá, até meu namorado já me perguntou se algum dia ele me bateu. Não! Nunca! Ele nunca me encostou um dedo. Mas de que adianta? A dor que eu sinto no coração é tão forte quando um soco. Eu queria mesmo que ele mudasse. Mas cansei de tentar lutar sozinha se ele mesmo não está disposto.
Já li um milhão de vezes que a maioria das meninas que tem transtornos alimentares tem uma família conturbada por trás. Mães neuróticas, pais ausentes, conflitos entre irmãos, entre outros demais. Não me surpreenda que talvez isso seja a causa dos meus TA's. Quando fui na psicóloga no ano passado ela bem me disse que eu estava desestruturada por causa da minha família, que não andava nada bem. Continua não andando.
Ah, queria comentar com vocês uma coisa. Ontem passando os canais parei no SupertoscoPop, programa da Luciana Xiburra, e estavam discutindo sobre Anorexia. Tinha uma modelo, anna, esposa de um skatista, que não da conta de carregar a própria filha de 20 kg. Achei um pouco forçado, mas de qualquer forma quando vi a modelo chorando vendo o video do marido dizendo que sempre estaria ao lado dela, me emocionei. Quando ela escutou umas verdades de um cara que não faço ideia de quem seja, me emocionei mais ainda. Porque eu senti como se as verdades fossem pra mim. E ele dizia: "Até que ponto vale a pena entregar a vida por uma carreira, sendo que você tem um marido que te ama, filhas que te amam, se você tem os verdadeiros valores dentro da sua casa, qual é o retorno que tem com essa doença que te destroi e destroi sua família?" - E eu pergunto a vocês annas, visitantes do meu blog, qual é o retorno que vocês têm com essa doença? Quais são os valores que trazem com ela? Serão suas respostas tão parecidas com a minha?
Bom, eu respondo aqui a minha. Estou presa nisso há uns 4 ou 5 anos - pelo menos foi quando assumi - mas sou preocupada desde pequena. Sempre tive pernas grossas e um corpo bem desenvolvido enquanto as meninas da minha idade eram secas como varetas. Nunca fui gorda, realmente, mas sempre me senti assim. Revirando uns cadernos antigos, achei uma agenda de quando tinha 12 anos e, perdidas entre as páginas, uma página rasgada de revista com uma dieta maluca e uma série de exercícios. Comecei na academia com essa idade. E pelo visto, já tinha em mente meu único foco. Se trouxe bons ou maus resultados, não sei bem julgar. Talvez o meu certo não seja mesmo o certo. Mas pra mim é mais que uma doença. Pra mim é uma forma de viver de bem comigo mesma. Se isso me traz valores ou retorno, sei lá. Não quero pensar nisso agora. O que tenho certeza é que sem a Anna me sinto só, meio perdida. Não foi a toa que depois de tanto tempo voltei. Ela ainda faz parte de mim. De uma forma ou de outra, ela ainda é o caminho que eu sigo.
E quanto a vocês...? O que pensam sobre isso?

12 comentários:

Anônimo disse...

Amada... Realmente vivo pensando sobre isso, se vale a pena, o que me traz em resposta. A única resposta que me ocorre é que infelizmente isso me trouxe TUDO. Além de depressão, melancolia, neuras e etc, me trouxe a cura pra minha eterna obesidade. Ao contrário de você, SEMPRE fui gordinha, ao menos acima do peso. NUNCA estive em meu peso normal e já cheguei perto da obesidade nível 2 SIM. Já tive perto de 95 quilos com apenas 1,62. Já fui humilhada demais, já sofri bullying demais pra me importar em ser doente ou não, desde que eu emagreça até o peso normal pelo menos. É isso que eu penso.

Eu sei que a taxa de mortalidade é grande, que não é nem perto do saudável, que pode me impedir de ter filhos, etc etc etc. Espero um dia me curar e que todas as meninas recuperem o que todas nós sentimos mais falta nesse mundo AMOR, mesmo que nosso por nós mesmas.

Beijos! ♥♥♥

Line ( Mais um dia aqqui ) disse...

minha internet ta uma bosta, não carrega os blogs e demora um monte pra postar os cometarios, então eu não tenho vindo muito, quero que isso seja resolvido o mais rapido possível :(
sobre o teu post: exatamente! todos os dias eu desejo sumir, ou que os outros sumam, queria não ter responsabilidades assim..
e concerteza a dor emocional é bem mais forte do que a dor fisica! queria mil vezes que minha mae me batesse, me arrebentasse ao invez de falar coisas que me deixam podre por dentro..
e sim, a maioria dos t.a's começam com uma familia desiquilibrada, fato :(
haha, eu sempre choro vendo reportagens sobre t.a's e realmente nunca vamos ganahr nada de bom com isso.. mas como eu tava falando com outra anete ontem, eu nunca me importo do que possa acontecer comigo, só me importo quando é com vocês D:
e desde pequenina eu ja via a minha mae fazendo dietas, e fiz ela me por numa academia ocm 12 anos mas fiquei só 2 meses e larguei.. eu digo que sou uma versão exagerada da minha mae, uma versão mais auto-destrutiva.
fique bem <3
Beijos

Viviana Ruiz disse...

Oi, flor...
por acaso te visitando.
Achei muito legal teu blog, o laoyut e tal. A maneira como escreves é muito linda.
Sobre a ana e mia, não me considero uma, sei lá o que sou, ou quem somos afinal.
tudo isto é doentio, um lado sombrio do qual optamos ficar, não é?
e não conseguimos mais sair.
triste sua história.
bjOus

Fada Oxy disse...

amiga o importante eh saber o que seu coraçao e sua mente pede .. ai comparar
se algum pesar .. algo esta errado
estou ctg sempre
beijos e força

COISAS, ETC E TAL disse...

Oi linda,
Gostei do seu post.

E eu lutei e luto muito ainda pra ganhar dessa doença que faz parte de mim. Eu realmente procurava isso para estar bem com o meu corpo, entretanto cada quilo a menos não bastava, por mais magra que estivesse nunca seria o bastante para me achar linda.

Então o que ela trazia? Pensando que tinha encontrado a solução, eu me odiava cada vez mais, acabava com a minha família, meu namoro, e me excluía do mundo, afastava meus amigos porque não queria que ninguém soubesse de nada.

Hoje, nesse exato momento mesmo eu não me sinto bem com o meu corpo, mas na verdade eu não sei se um dia eu vou conseguir isso. Hoje eu lembro do meu corpo com 47 quilos e sinto saudade... Mas, e os meus sentimentos? Acho que hoje mesmo não estando bem com o meu corpo eu sou mais feliz do que antes.

É difícil sair disso depois de tanto tempo, mas é possível.

Beijo linda
Cuide-se

Crystal Fairy disse...

Oi
Mesmo você indo para longe seus problemas ainda vão existir, só nos livramos deles quando os encaramos.
Não podemos mudar o outro, só a nós mesmo, então te desejo força para conseguir lidar com seu pai.
Em relação ao TA... “me sinto só, meio perdida”, VAZIA.
Melhoras!
Bjs

Anônimo disse...

Carambaaaaaaaaaaaaaa o começo do seu post parecia eu falando a mim mesma. Eu me sinto assim constantemente.... de ir para um lugar diferente... onde ninguém saiba quem sou! :-(

Que chato essa situação do seu pai... a destruição é algo que não será esquecidooo e depois se pergunta:"Porque minha filha fez isso?!"

Também já li... e vejo que geralmente o que esta atrás do TA's é tudo isso: desequilibrio emocional. Minha mãe é bipolar...até descobrir sofri horres... e ela sempre lutou contra a balança...eu sempre fui toda a sua base para descarregar o desconforto da sua vida. Até hoje! E a vida dela quando mais nova era uma familia, totalmente sem base, destruida por traições do pais e sofrimento da minha avó!

...enfim... a doença é terrível. No fundo não traz nenhum beneficio... mas as vezes pesamos que siim. Que algum dia iremos parar e vencer. Ser feliz com o nosso corpo. Mesmo sabendo que não somos gordas... mas sempre lutamos contra a imagem que nos deparamos no espelho.

Obrigada pela força.
Ahhh eu li tudinho... o texto esta muito bom para se ler... mesmo sendo triste... mas é realidade.Infelsimete a vida é real, temos sofrimentos... e temos que lutar a cada dia.

Não desista de você!

Beijos!

Pucca disse...

Amore, meu pai nunca me bateu, mas só o olhar dele pra mim já fico com medo. Acho que o pior não é a dor física =/
#medo O pior que os psicólogos têm razão. Droga!
Eu? Estou de fato (acho) pelo menos três anos. Mas sempre fui louca por dietas. Você falando assim até me lembrei de um caso. Deixa-me contar? *-*
Tudo bem.
Sempre fui à gordinha da família por ter pernas grosas e sempre odiei. Quando eu tinha 10 anos perto do meu colégio tinha uma banca de revista e sempre com a desculpa de comprar pôster, acabava comprando revistas de dieta =S Fazia todas. E sempre me senti péssima por que todo mundo continua a me chamar de ‘bolinho’. Oh amiga. Só em lembrar já fico triste. Mas isso um dia vai passar. É o que espero.
Desculpa esse desabafo tá?
Beijocas!

Fake Identity disse...

Oi, acho que você nunca vai lembrar de mim, mas eu te conheci no fake e ate o inicio do ano conversavamos mt e vc nem entra mais la, eu sou a jully e na vida real sou a fernanda, vc nem deve lembrar, realmente tudo que vc disse é verdade TEMOS MTS CONFLITOS COM A FAMILIA, /fato mas eu espero que tudo que esteja acontecendo contigo fique bem e que um dia vc realize seus sonhos, bjs

Pró- Ana Forever and Always disse...

Ai ai, eu não tenho nada a dizer... sabe por quê? Porque eu sou estupidamente fraca!! Eu esto cansada de começar e de tentar, se eu já começo pensando em como eu vou ficar arrasada quando fracassar. Eu me sinto ridícula, sabe, não consigo ficar bem comigo mesma.
Sabe o que o meu pai me disse hoje? "Nossa, Laura, você tá tão gordinha né filha?!" E minha mãe ainda completou "É verdade, acho que você deve estar pesando mais do que eu!" Imagina como eu fiquei... Tive vontade de levanter da mesa e sair correndo pra algum lugar desconhecido..
Eh meninas, vocês não fazem ideia de quantas vezes eu já tentei e depois desisti logo em seguida. Eu fiz um Blog pra ver se conseguia algum apoio, mas ninguém me visita!! Eu estou sentindo uma angústia tããããão grande... estou me sentindo muito sozinha.. por favor, será que dá pra alguém dar uma passadinha no me Blog pra conversar um pouquinho comigo?

Beeeeeeeeeijos =*

Anônimo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Realmente, não faz o menor sentido continuar com essa doença se você tem amigos e família. Mas quando você não tem esse carinho, você se apega a qualquer coisa que te deixe bem, sendo essa coisa boa ou ruim. No meu caso, me apeguei ao corpo perfeito que quero ter (:

Beijo e se cuida :**